Ocupar a Cidade, Transformar a Realidade: A Vivência das Promotoras Legais Populares em Agosto
A agenda do mês de agosto foi intensamente marcada pela vivência cidadã, pela profundidade crítica e pelo fortalecimento dos laços comunitários das Promotoras Legais Populares (PLP) de Sorocaba. Longe de se limitarem às salas de aula, as atividades complementares deste período levaram o grupo a ocupar espaços estratégicos da cidade, articulando teoria, memória, economia solidária, direito à cidade e debates essenciais sobre os corpos e as vivências das mulheres.
A jornada começou no dia 16, na sede do Núcleo de Educação, Tecnologia e Cultura (ETC) da UFSCar, localizado no bairro Santa Rosália, durante a 1ª Bienal Repensar Sorocaba. Na ocasião, as alunas mergulharam em debates cruciais sobre disputas por políticas públicas e coletivos sociais, além de participarem do laboratório de cinema experimental, que revisitou a Revolução de 1842 através da narrativa fílmica "A Revolta". A proposta do evento cumpriu seu papel de construir um espaço plural de discussão, formação e celebração da cidade, transformando o pessimismo conjuntural em força motriz para a criação de novos projetos e ideias.

No dia 17, o foco voltou-se para a economia e a articulação coletiva com a participação no Fórum de Economia Popular e Solidária, sediado no Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região, no Jardim Faculdade. O encontro proporcionou diálogos profundos, trocas de experiências e ampliação de parcerias, culminando na leitura e assinatura de uma carta-compromisso entre entidades, convidados políticos e participantes.

O encerramento do mês dialogou diretamente com a essência da Bienal, mas sob uma nova perspectiva territorial. No dia 30, as PLP retornaram à programação da 1ª Bienal Repensar Sorocaba para realizar vivências e derivas pelas ruas do centro da cidade. A iniciativa reforçou a urgência de armar intelectualmente a população para compreender criticamente seu próprio território, ocupando o espaço urbano com arte, cultura e reflexão política.

Fechando o ciclo de agosto no dia 31, também na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região, a Roda de Conversa sobre Sexualidade conduziu um dos momentos mais marcantes da formação. Facilitado pelas psicólogas Odete P. de Oliveira e Michele L. de Souza, o encontro desvendou como construções culturais, históricas, religiosas e políticas públicas moldam a sexualidade, com foco especial nas vivências das mulheres. A alta adesão e o engajamento das alunas evidenciaram a urgência de descentralizar o debate, levando-o para escolas, famílias e espaços cotidianos.

Agosto provou que a formação das Promotoras Legais Populares em Sorocaba é um exercício vivo de cidadania. Ao transitar entre a memória histórica, a economia solidária, o direito ao território e a autonomia dos corpos, o programa consolida-se como um verdadeiro celeiro de transformação social e emancipação popular.





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