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8 de Março: das primeiras lutas das mulheres à urgência de enfrentar a violência de gênero no Brasil

  • há 2 dias
  • 4 min de leitura

Todos os anos, o Dia Internacional das Mulheres, celebrado em 8 de março, reacende um debate fundamental: por que, mesmo após tantas conquistas históricas, mulheres ainda precisam ocupar as ruas para defender seus direitos básicos?

Imagem gerada por IA de Movimento de mulheres nas ruas em protesto pelo fim da violência de gênero, pela vida das mulheres.
Imagem gerada por IA de Movimento de mulheres nas ruas em protesto pelo fim da violência de gênero, pela vida das mulheres.

A resposta está na própria realidade brasileira. Enquanto avanços legais foram conquistados ao longo das últimas décadas, a violência de gênero continua sendo uma das maiores ameaças à vida das mulheres no país. O feminicídio — assassinato de mulheres por razões de gênero — evidencia que a luta por igualdade ainda está longe de terminar.

Mais do que uma data simbólica, o 8 de março representa um dia de mobilização política, denúncia e construção coletiva de resistência.

É também um momento em que organizações da sociedade civil, coletivos e movimentos sociais reforçam seu compromisso com a defesa da vida e da dignidade das mulheres. Entre essas iniciativas, o Instituto Plenu tem atuado no fortalecimento de redes de apoio, na promoção da educação em direitos humanos e na mobilização social para o enfrentamento da violência de gênero.


Um breve olhar para o início das lutas das mulheres

A mobilização organizada das mulheres por direitos começou a ganhar força no final do século XIX e início do século XX, quando trabalhadoras passaram a se organizar para reivindicar condições dignas de trabalho, redução da jornada e participação política.

A proposta de criação de um dia internacional dedicado à luta das mulheres foi apresentada pela ativista Clara Zetkin, durante uma conferência internacional de mulheres em 1910. A ideia era fortalecer a organização feminina e dar visibilidade às reivindicações por igualdade.


Imagem gerada por IA de mulheres operárias no final do séc. XIX lutando por direitos
Imagem gerada por IA de mulheres operárias no final do séc. XIX lutando por direitos

Desde então, o movimento das mulheres conquistou avanços históricos, como o direito ao voto, acesso ampliado à educação, participação política e legislações de proteção contra a violência.

No Brasil, o voto feminino foi conquistado em 1932, fruto da mobilização de lideranças como Bertha Lutz.

Essas conquistas, no entanto, não encerraram a luta — elas abriram caminho para novos enfrentamentos.


A violência de gênero: uma realidade que ainda marca o Brasil

Apesar dos avanços legais e institucionais, a violência contra as mulheres permanece alarmante no Brasil.

O feminicídio foi tipificado como crime em 2015 por meio da Lei do Feminicídio (Lei 13.104/2015), que reconhece o assassinato de mulheres motivado por violência doméstica, familiar ou discriminação de gênero.

Mesmo com essa legislação, os números continuam preocupantes. Dados da última publicação do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que o Brasil registra mais de mil feminicídios por ano, revelando a gravidade da violência de gênero no país.

Grande parte desses crimes ocorre dentro de casa e é cometida por parceiros ou ex-parceiros. Isso demonstra que a violência doméstica, muitas vezes naturalizada ou invisibilizada, pode evoluir para desfechos fatais quando não há intervenção eficaz.


Políticas públicas e estratégias para combater o feminicídio

O enfrentamento da violência contra as mulheres exige políticas públicas articuladas, prevenção e fortalecimento das redes de proteção.

Entre as iniciativas recentes está o Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, que busca integrar ações entre União, estados e municípios para reduzir os assassinatos de mulheres no país.


O pacto prevê medidas como:


  • fortalecimento da rede de atendimento às mulheres

  • produção e transparência de dados sobre violência de gênero

  • capacitação de profissionais da segurança pública e justiça

  • campanhas educativas de prevenção


Outra estratégia importante é o kit de monitoramento eletrônico de agressores - Pacote "Alerta Mulher Segura" vinculado às medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha.


Esse sistema permite monitorar a localização do agressor e emitir alertas caso ele se aproxime da vítima, contribuindo para prevenir novos episódios de violência e possíveis feminicídios.


Nesse cenário, organizações da sociedade civil também desempenham um papel fundamental. O Instituto Plenu, por exemplo, atua na promoção de informação, conscientização e mobilização social, contribuindo para fortalecer a rede de enfrentamento à violência contra as mulheres e ampliar o acesso das mulheres aos seus direitos.


Por que ainda é necessário ir às ruas no Dia Internacional das Mulheres


A história demonstra que nenhum direito das mulheres foi conquistado sem mobilização social. Cada avanço na legislação ou nas políticas públicas foi resultado da organização coletiva e da pressão exercida pelos movimentos de mulheres.


Ir às ruas no 8 de março significa:


  • denunciar a violência de gênero

  • cobrar políticas públicas eficazes

  • fortalecer redes de apoio entre mulheres

  • defender igualdade de direitos e oportunidades


Movimentos sociais, organizações da sociedade civil e iniciativas comunitárias — como as Promotoras Legais Populares — desempenham papel essencial na conscientização sobre direitos e no fortalecimento das redes de proteção.

Instituições comprometidas com essa causa, como o Instituto Plenu, ajudam a ampliar esse debate, promovendo ações educativas, mobilização social e fortalecimento da cidadania das mulheres.


A luta das mulheres continua


O 8 de março é um lembrete poderoso de que a igualdade de gênero ainda é um projeto em construção.

Enquanto mulheres continuarem sendo vítimas de violência, enquanto a desigualdade persistir nos espaços de poder e enquanto o feminicídio seguir tirando vidas, a mobilização social continuará sendo necessária.

Ir às ruas, denunciar injustiças e fortalecer redes de solidariedade não é apenas um ato simbólico. É parte fundamental da construção de uma sociedade onde nenhuma mulher precise lutar para permanecer viva.


 
 
 

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